A desigualdade é uma bênção divina (coisa que um bom socialista jamais compreenderá, todavia!)

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Um dos mitos sagrados da esquerda, trombeteado aliás aos quatro ventos, é a ideia de que a desigualdade social é intrinsecamente má e a igualdade uma meta salutar a atingir, a todo o custo.

Fala-se então, mesmo aqui em Cabo Verde, da necessidade urgente de “corrigir as desigualdades” e reverter, no sentido favorável à ideologia dos bons samaritanos, claro está!, o perverso e execrável “Índice de Gini”.

Cada aumento percentual da desigualdade é escrutinado milimetricamente, com aquele zelo típico dos agentes da antiga Inquisição. A desigualdade é uma chaga social e, como tal, deve merecer toda (e mais alguma, dir-se-ia) indignação dos nossos “bem-pensantes”.

A igualdade passa a ser vista como um dogma benigno, e a desigualdade como uma heresia inaceitável e pecaminosa.

Mas será que é mesmo assim? A realidade endossa essa visão idílica e pretensamente humanizante da esquerda rancorosa? Infelizmente, não. Nunca foi assim. Nem aqui nem na Patagónia.

A desigualdade é, pelo contrário, um bem e uma enorme bênção que Deus derramou sobre a humanidade sofredora.

A desigualdade é um facto da natureza e permite, é óbvio, o livre desabrochar da liberdade humana, com a graça de uma sinfonia de Mozart.

É ela que está na raiz do progresso tecnológico, da inovação e da redução da pobreza, que o mundo ocidental empreendeu pioneiramente, como já mostrou um Michael Novak.

Se as pessoas não pudessem seguir caminhos desiguais e, com base no respectivo talento pessoal, criar riqueza e progredir espontaneamente, ainda estaríamos, seguramente, na Idade da Pedra ou não passaríamos, sequer, de nómadas recolectores de frutos silvestres, vivendo decerto no limiar da subsistência.

É a desigualdade (e a liberdade que lhe serve de esteio e fonte axiológica, evidentemente) que permite o surgimento de um Messi no desporto-rei, brilhando como solista na equipa do Barcelona, ou de um Steven Paul Jobs na área das novas tecnologias, com o seu fantástico iPhone, que faz a delícia de jovens e graúdos.

A alternativa política é o empobrecimento conjunto e contínuo, como acontece em Cuba ou na Coreia do Norte, em que uma pequena elite (a famosa “nomenclatura”) goza de todos os privilégios e as massas desprotegidas vivem, por sua vez, na opressão e na miséria, sob as botas de um regime marxista que combate, raivosamente, a livre-iniciativa e o capitalismo.

Como se vê, não é uma alternativa recomendável. Longe disso.

João Luiz Mauad, analista rigoroso, criticando o presidente Barack Obama e a conhecida ONG esquerdista Oxfam, desfez a velha demagogia com muita classe, declarando o seguinte:

“…pobreza e desigualdade não são duas variáveis positivamente correlacionadas. Não há sequer comprovação de que elas sejam, de alguma maneira, correlacionadas. A pobreza pode aumentar, enquanto a desigualdade diminui (Cuba). A pobreza pode diminuir, enquanto a desigualdade aumenta (China) – a propósito, essa gente deveria perguntar aos chineses se eles se sentem melhor agora ou há 40 anos, quando a igualdade de renda era quase absoluta.

Mas façamos um exercício de aritmética simples. Imaginemos que a renda de João seja de $1.000 por mês e a de Pedro, $5.000. A desigualdade de renda entre os dois é, obviamente, de $4.000. Suponhamos agora que a renda real dos dois tenha duplicado num período de três anos. Nesse caso, a diferença nominal de renda entre os dois, que era de $4.000, passou a ser de $8.000 (João = $2.000 e Pedro = $10.000). Embora a renda real de João tenha aumentado na mesma proporção que a de Pedro, a diferença nominal entre ambos aumentou bastante. Pergunta: a vida de João melhorou ou piorou? Façam as contas: ainda que a renda de João triplicasse e a de Pedro somente duplicasse, a disparidade absoluta de renda – e provavelmente de riqueza – aumentaria. (…) Ao contrário do que pensa e diz a sra. Winnie [da Oxfam], não há um bolo fixo, preexistente, de riquezas que, de alguma forma injusta, escorrem para os bolsos dos ricos, deixando os pobres mais pobres. Nas economias capitalistas, a riqueza é constantemente criada, multiplicada e trocada de forma voluntária. A desigualdade, portanto, é um efeito. Sua causa é a diferença de produtividade, ou a capacidade de cada um de gerar bens e serviços de valor para os demais. Graças a esse fenómeno, nos últimos 200 anos houve um aumento exponencial do padrão de bem-estar no mundo e, consequentemente, uma redução espectacular dos níveis de pobreza. Só para se ter uma ideia desse milagre, 85% da população mundial viviam com menos de um dólar por dia (valores de hoje), em 1820, enquanto hoje são 20%. Será que esta verdadeira revolução pode ser atribuída à distribuição de recursos dos ricos para os pobres, ou será que isso se deve ao efeito multiplicador da produtividade capitalista e ao aumento exponencial do bolo de riquezas?”.

Resumindo e concluindo: a história, desde há mais de 200 anos, é claríssima e não mente. As lições da experiência estão aí, soberanas e cintilantes.

Porque é que os defensores do socialismo, nos seus vários matizes, rejeitam então os factos e a verdade histórica comprovada? Não há nenhuma razão plausível.

O socialismo é, portanto, uma patologia incurável e, no cume da hipocrisia, um mero esquema político de opressão dos povos.
Casimiro de Pina

Author: Diario CV

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