A Constituição, A Liberdade e a Democracia (trio triunfante do Estado de Direito)

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O maior inimigo deste trio triunfante é a ignorância. “Os escravos vis sorriem com ar de troça à palavra Liberdade”, dizia Rousseau.

A presente governação (2001-2014 …) deixou proliferar a ignorância e a ganância, e pode vir mesmo a cair de podre, aos tratos dos ignorantes e dos únicos (afinal poucos) que não se revêm no seu ideário: os simples fanáticos do totalitarismo selvagem. Infelizmente, alguns daqueles que a poderiam e aparentemente deveriam defender, não saem a terreiro, fazendo suspeitar que já terão tacho garantido, como tantas vezes têm acontecido (…)

Com esta crise (no sentido lacto), era caso de emergir uma juventude altiva, clarividente e interventora, que desse exemplo e ficasse na História, pela sua verticalidade e desenvoltura, pela inovação artística e literária, pelo rasgo político. Pela vera inovação e até pela surpresa. Por favor, avisem quando decidirem sê-la. Não podemos ter medo do tal “sistema”, pois o sistema mata o Homem (a pessoa humana) e deixa sobreviver o homem (o animal).

Alguma coisa me diz que quando as pessoas inteligentes e cultas perceberem que não se revêm todas (ou quase todas) neste estado de coisas, poderemos ter surpresas. São já demasiadas as vozes isoladas a criticar.

É reconfortante ter um Presidente da República “junto das pessoas”, e que consegue empatia com o Povo. Pelo menos isso!

Depois de terem destruído o Estado e empobrecido aos limites da miséria a sociedade, alguém vai ter que reconstruir. Vão-se preparando: para sobreviver e para reconstruir.
Tenho mais que fazer que discutir o que já repisei mil vezes (…). Nos, os mais novos e mais aguerridos é que têm agora de empunhar a bandeira. É preciso estudar, no meio da luta… Estudar hidráulica enquanto Roma Arde, como dizia o polemista. Muitos insensatos e mal letrados, aconselharam-me e incentivaram-me “cínico- ardilosamente”, que o sistema vai-me barafustar. É verdade? Não. Só pode ser chantagem, ameaça ou coacção.

A cultura e a literatura Constitucional, é uma falácia nos nossos dias. É Pouco citada e pregoada nos tribunais.

Sempre me intrigou porque é que a ditadura ensinava nas escolas secundárias a sua Constituição, (os meus avos cantam muito bem o hino nacional do partido único, como se fosse hossanas) e a democracia acha, pelos vistos, que não é preciso: nascemos democratas por obra e graça do Espírito Santo? Deu no que deu, e ainda pode dar em pior.

A constituição foi a principal lema de campanha presidencial, pelo então Presidente da República de Cabo Verde. A cultura Constitucional, já esta semeada. Nasceu em terra boa! Ai está o vento leste, soprando nas “tambarinas”, comprometendo o seu crescimento, mas estamos a aproximar das chuvas, que cobrirá de verde o arquipélago, em 2016. Pois.

Como seria diferente se as pessoas fossem realmente formadas, desde a instrução mais elementar, em rudimentos de Direito e Ciência Política. Bastavam as coisas básicas. A começar pelo ensino sumário dos princípios e fundamentos da Constituição.

Isso lhes daria melhores horizontes de pensamento, mais instrumentos de compreensão da realidade, e compreensão dos seus reais Direitos. A quem aproveita a deseducação e a ignorância?

Há um fundo comum em todas as patetices politicamente corretas, que querem: reescrever a História, como as do Amílcar Cabral, criar dicionário como o “ALUPEC” censurar filmes e livros clássicos. Qual é? Fazer de nós parvos. Felizmente, apesar de tudo, há ainda quem pense. Pela própria cabeça.

Quando vejo pessoas bem intencionadas, cultas e muito inteligentes a defender soluções que estão a meio caminho da ditadura, recordo o passado, e quase “dá vontade de morrer”.
Mas ainda assim há que resistir. O que está a fazer falta, somos nos jovens. Só nos é que podemos salvar o País. Mas esta democracia não nos educou civicamente, e por isso, por muito bem intencionados que sejam, só se tivermos sido autodidactas percebemos o que se está a passar. Pode ser o fim, se não defendermos a Democracia e o Estado de Direito.

Raramente, a sorte o permite (…) Mas tanto bafeja o bom como o mau, a qualidade como a mistificação, a recta intenção como a perfídia (…)

José Henrique Freire de Andrade/Advogado/ henriqueafa84@sapo.cv

Author: Diario CV

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1 Comment

  1. Caro senhor, água mole em pedra dura, bate bate até que ela fure,continue escrevendo,porque são escritas dessas que acabam por abrir os olhos de quem ainda está cego.

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